Entrevista Marcos Castelani - Dos fóruns para o Youtube*

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


Marcos Castelani, 23 anos, é natural de Lages/SC e começou a tocar gaita há aproximadamente cinco anos. Assim como a maioria dos gaitistas da nova geração, desenvolveu seu aprendizado de maneira autodidata auxiliando-se através de grupos de discussão e fóruns na internet. Com apenas um ano de prática, ele já estava tocando em uma banda que ele mesmo fundou, com pouquíssimas gaitas e um microfone que ele mesmo havia feito usando um telefone antigo. A partir daí, seu desenvolvimento foi tão notável que até gravou participações e um clipe com André Lisboa, um guitarrista de sua cidade. Drop’s & Rock N’ Roll, a banda fundada por Marcos, até fechou um show dos escoceses do Nazareth, em uma de suas passagens pelo Brasil, em 2010.



Foi à curiosidade e a constante necessidade de crescer como gaitista, que fez com que Marcos passasse boa parte do seu tempo livre nos grupos de gaita espalhados pela internet. Na sua busca por compartilhamento de conhecimento, ele começou a escrever sobre dicas de gaita em um blog e um dia por acaso, fez um vídeo que auxiliava iniciantes com dúvidas em escolha de modelos de gaita. “Pra ser sincero, acho que só fiz o primeiro vídeo, porque me deu preguiça de escrever um texto enorme comparando gaitas pra iniciantes no blog que eu tinha, mas o negocio acabou fluindo muito bem.", disse Castelani. Marcos não tinha intenção de transformar seu canal de vídeos no Youtube em vlog. A produção das filmagens é bem simples e no início ele só postava vídeos de experimentos que fazia com gaitas e equipamentos novos que ia adquirindo.
Hoje o canal tem quase 50 vídeos, aproximadamente 760 inscritos (número que aumenta a cada dia) e mais de 37 mil visualizações em seus vídeos. “O negócio cresceu de uma forma que eu não esperava. Até tive que criar outra conta de e-mail pra deixar só pra conta do Youtube. Todo dia recebo inscrições, mensagens de pessoas que curtem os vídeos e elogios, o que me motiva muito a continuar a fazer os vídeos.”, afirmou Marcos. Com o vlog, Castelani dá dicas de manutenção, vedação, técnicas e até mesmo ministra algumas aulas. De maneira extrovertida, o canal conquistou um grande público de gaitistas, principalmente de aluno iniciantes ainda carentes de conteúdo.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.

Entrevista Leonardo Kenji Shikida - De blogueiro para blogueiro*

terça-feira, 25 de dezembro de 2012


O espaço da gaita na internet ainda não foi totalmente consolidado. Com a popularização da internet no fim da década de 90, o fórum Gaita-L surgiu como uma alternativa para os tímidos internautas gaitistas. Um de seus usuários era bastante participativo e teve a iniciativa de criar um blog destinado apenas para a gaita. Foi assim que o analista de sistemas carioca, Leonardo Kenji Shikida, 37 anos, que se mudou para Belo Horizonte em sua infância, manteve gaitistas de todo o país antenados sobre lançamentos e curiosidades do mundo das harmônicas com o blog Gaita-BH. Os últimos dez anos foram dedicados por ele e seus parceiros (Bresslau, Rodrigo e Clara Machado) para manterem o blog sempre atualizado, o que garantiu várias amizades e um grande banco de dados para a gaita no país.

Quando surgiu a ideia de começar o blog?
Leonardo Kenji - Abri meu blog pessoal em 1999. Mudei de provedor em 2001 e não parei mais, embora tenha diminuído bastante o ritmo. No começo, o pessoal era muito carente de informação, então todo mundo tentava compartilhar como dava, meu blog foi na mesma linha. Quando vi que tinha post demais de gaita no meu blog pessoal, abri um blog de gaita para não misturar as coisas. Hoje em dia, eu e o Bresslau postamos alguma coisa de vez em quando no Gaita-BH, mas é raro. Acho que os blogs estão menos ágeis que os Twitters e os Facebooks da vida.

Você se tornou bastante influente no meio da gaita. Como isso ocorreu? 
LK - Eu tinha muito tempo livre e muita paciência pra responder as mesmas perguntas de todos os iniciantes que surgiam no Gaita-L, até porque, muito além disso eu nem tinha muito conhecimento para ajudar. Acho que isso acabou ajudando. Essa coisa da influência é engraçada, porque eu fiz muitos amigos, mas não acho que eu era influente. Talvez eu passasse certa credibilidade porque eu não era nem músico profissional (para defender o próprio trabalho) ou endorser (para defender uma marca). E eu tinha a impressão que a gaita era mal divulgada e que se eu divulgasse, seria bom para os gaitistas. Talvez, por ter pouca gente familiarizada com a web na época, eu tenha me destacado um pouco. Mas acho que hoje em dia, com os blogueiros profissionais e as redes sociais, que todo mundo sabe usar muito bem, para se destacar, a pessoa tem que fazer muito mais do que eu precisei na minha época. Uma coisa que ajudou bastante foram os vários CDs do Gaita-L, que eu ajudei a organizar por quase 10 anos (um por ano). Era divertido porque ele era uma desculpa para rolar um show com palco aberto para a galera dar uma canja. Se você quer deixar gaitistas felizes, arrume uma boa banda de blues, faça uma lista de músicas com o tom da gaita na segunda posição, arrume cerveja e abra o palco. A galera se diverte muito, vale a pena.

Como anda o cenário da gaita em BH?
LK - Se você for a qualquer lugar do Brasil, vai encontrar pessoas reclamando do cenário, seja porque tem pouco músico, ou porque tem panela, ou porque tem pouco show, ou porque o pessoal não valoriza, etc. O fato é que não dá pra comparar a gaita com o Michel Teló. Nunca foi um instrumento predominante e a vida de músico é muito sofrida. Agora, com o torrent e o Youtube, deve estar ainda mais sofrida. Ou não, há quem saiba aproveitar. Aqui em BH, existe um cenário, que já algum tempo eu não acompanho como fazia antigamente. Sempre tem gente boa aparecendo, fazendo bandas, inovando com novos trabalhos, etc. Mas é assim: são 10 anos e surgem um ou dois novos gaitistas que realmente engatam em trabalhos sérios e consistentes. Não é um cenário muito variado, mas você certamente sempre vai ter um bom show para ir quase toda semana. Isto é o suficiente para muita gente. Mas eu sinto falta dos gaitistas internacionais virem nos visitar. Tradicionalmente, é necessário ir para SP para conferir as atrações internacionais trazidas pelo Chico Blues e pelo Flávio Guimarães, que estão sempre salvando a nossa pele.

* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.
Vale ressaltar que possivelmente só criei meu blog por sempre seguir o blog do Kenji. O Gaita-BH serviu como grande inspiração para o Gaita e Poesia, que no começo só servia para postagens pessoais que nada falavam sobre gaita.


Entrevista Bene Chireia - Pioneirismo no ensino dos sopros*

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Um dos maiores problemas para o gaitista iniciante é começar seu aprendizado. A dificuldade de se aprender gaita vai desde a escassez de métodos até a pequena quantidade de professores disponíveis. Em cidades do interior raramente encontramos músicos, quanto mais professores. Em Frutal, cidade localizada no pontal do triângulo mineiro, situada a 608 quilômetros da capital Belo Horizonte, não existe sequer uma loja especializada em música. A cantora e compositora Ana Rita, 18 anos, reside na cidade há quase dois anos e sente bastante dificuldades em adquirir gaitas. “Comprar gaita em Frutal é muito difícil e quando você consegue não encontra variedade de modelos e afinações. É preciso comprar gaitas pela internet ou em cidades maiores” conta Ana Rita, que inclusive aprendeu a tocar o instrumento por conta própria pela falta de professores.
Com o advento da internet, gaitistas renomados que lecionam estão ganhando espaço aos poucos. Cada conquista é importante e isso tem ocorrido por intermédio de aulas por videoconferência, divulgações de shows e workshops nas redes sociais, etc. Anos atrás, o método de gaita mais conhecido encontrado no Brasil, era o Blues Harp – Método para Harmônica Diatônica, do gaitista paranaense Benevides Chireia Júnior. Bené, como é popularmente conhecido, é consultor da Hering Harmônicas, desde 1994. Ele também endorsa produtos da fábrica e participa de diversos projetos musicais. Seu método ficou conhecido pela sua clareza e objetividade, que além de tudo continha um disco com faixas de acompanhamento para cada lição. 
O inicio da trajetória de Chireia com o instrumento se deu com ninguém menos do que o paulista Ulysses Cazallas (1933-2006), um dos mais importantes gaitistas do Brasil. Seu período de aprendizado com Cazallas ocorreu entre 1992 e 1993. Daí pra frente Bené não parou mais. Fundou a banda Mister Jack, integrou a Orquestra Harmônicas de Curitiba (da qual, Cazallas também fez parte) e o Trio Traquitana. Recentemente formou o duo Chireia e Hess que está em constantes apresentações pelo país.
Bené leciona desde 1996, mesmo ano do lançamento de seu método. Possui aproximadamente dez alunos, que são atendidos no bairro Jardim Social em Curitiba. É um número bem reduzido, porém importante para que sua carreira musical não sofra tanta interferência, pois está frequentemente viajando. O pioneiro método de Bené atingiu cerca de 5000 gaitistas em todo o país. “Até hoje creio que meu método continue sendo uma raridade e com a internet tive a oportunidade de enviar métodos para todo o país.”, comenta Benevides que ainda mantem alguns alunos online com o método.
Quando o assunto é lecionar no Brasil, Bené explica que a música no país se divide em escolas de música (em sua maioria privadas, uma vez música já não é mais matéria obrigatória nas escolas públicas) e em professores independentes que ensinam em casas de alunos, maneira pela qual ele optou para lecionar. “Eu optei pela segunda forma pois nas escolas de música (não todas é claro) a ordem é manter o aluno "preso" o maior tempo possível fazendo com que a evolução do aluno seja amarrada e monótona”. A dica que Benevides deixa para os iniciantes é que eles tenham um bom instrumento, um bom professor e que pratiquem no mínimo 30 minutos por dia.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.

Entrevista Marcio Scialis - O mercado no país e a influência de seus segmentos*

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Prestando serviços para a Hering desde 2009, Marcio Scialis começou como gerente de projetos e posteriormente assumiu a direção executiva do Instituto Hering Harmônicas. Hoje aos 38 anos de idade, o paulista além de endorsar a marca é também o gerente de marketing da Hering Harmônicas. Em parceria com seu sócio Geison Cezare, Scialis assumiu o atendimento a clientes pela Assistência Técnica Autorizada Hering Harmonicas, através da central H-UNIT.COM, que atende em todo território nacional dentro e fora do período de garantia das gaitas. 
Como músico ele atua em diversos projetos, dos quais podemos destacar o trio Os Harmônicos, que já foi entrevistado no Programa do Jô, onde lançaram o primeiro CD. Além disso, o trio já foi matéria na Folha de S. Paulo, participaram na Radio CBN com João Carlos Santana e também já se apresentaram para mais de 15.000 crianças. Scialis também faz parte da banda country Hillbilly e da dupla Harmonica Duo, formada com o gaitista Little Will, que está em processo de finalização da gravação do primeiro disco, que contará com participações de alguns gaitistas importantes, como o norte-americano Peter “Madcat” Ruth.

O trio Os Harmônicos no Programa do Jô. Da esquerda para a direita: Geison Cezare, Little Will, Marcio Scialis e Jô Soares / Acervo Pessoal Facebook

Em entrevista por e-mail Marcio Scialis relatou um pouco de sua experiência no mercado de gaita do país. A sua primeira preocupação para a compreensão do funcionamento de venda de harmônicas é a distinção necessária entre gaitas realmente consideradas instrumentos musicais e as cópias mal feitas, geralmente provenientes da china. A confusão entre esses dois segmentos, faz com que algumas pessoas acabem comprando as cópias e levando para casa instrumentos sem qualidade e com afinações irregulares.
Ao contrário do que acontece com quem adquire uma gaita da Hering, que antes de chegar ao mercado passa por três processos de afinação, revisões e testes feitos por experientes profissionais, dos quais alguns já trabalham há mais de 50 anos na fábrica em Blumenau. “O que quero dizer, fazendo essa distinção prévia, é que o mercado nacional de gaitas vai muito bem, considerando o que podemos realmente chamar de gaitas” afirma Scialis.
Segundo Marcio, a Hering Harmônicas agora investe no aumento da qualidade de vendas e atendimento para lojistas e consumidores. Com o mercado aquecido no segundo semestre, a fábrica preferiu transformar em descontos o que seria gasto na 29ª Expomusic (Feira Internacional da Música, Instrumentos Musicais, Áudio, Iluminação e Acessórios), pois facilitaria para os lojistas de todo o país a reporem seus estoques de produtos Hering.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.

Instrumentos musicais ficarão mais caros em janeiro de 2013*

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


"Post rápido.
Resumindo, o governo brasileiro pretende, à partir de 2013, aumentar (ainda mais) os impostos sobre instrumentos musicais. Ridículo!
Leia a notícia aqui: CLIQUE
Assine a petição aqui: CLIQUE

Se não fizermos nada agora, o barco vai continuar afundando. Assine a petição e peça para seus amigos assinarem também, por favor!

PS: O Pedro Ditz colocou um link interessante.  É um projeto de lei (de 2004 - ainda não votado!) do senador Morazildo Cavalcanti que sugere a isenção do imposto de importação para músicos:  CLIQUE."

* Reblogado do Louco Por Guitarra, blog especializado em guitarras do blogueiro, guitarrista e colecionador Paulo May. Achei importantíssimo compartilhar no Gaita e Poesia e espero que os leitores se mobilizem, compartilhem e assinem a petição.

Uma história de sopros ao redor do mundo*

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


Não é porque o instrumento cabe no bolso que significa que ele não deve ser profissionalizado e levado a sério. A gaita de boca, surgida na Alemanha no século XVIII, pode, sim, ser considerado um instrumento consolidado. A tradição de mais de 150 anos e os diversos tipos de gaita (oitavadas, diatônicas, cromáticas, trêmolo, etc.) comprovam isso. Confeccionadas em poucas, porém centenárias e tradicionais fábricas espalhadas pelo mundo, as harmônicas possuem corpos de madeira ou plástico, placas de vozes de bronze ou latão e tampas com os mais diversos designs que constroem toda uma trajetória através de seus modelos.
Na Alemanha, encontramos a fábrica de instrumentos Hohner, fundada em 1857, pioneira na fabricação em série e no aperfeiçoamento das gaitas. Se hoje o instrumento é massificado, devemos isso ao relojeiro Mattias Hohner, que com apenas 24 anos de idade decidiu se dedicar exclusivamente a fabricação do instrumento. De forma manual, no primeiro ano ele fez 650 instrumentos. A partir daí a marca se popularizou e ícones como Little Walter, Bob Dylan e John Lennon imortalizaram os modelos de gaita da Hohner. Ainda em solo germânico, encontramos a fábrica C. A. Seydel Söhne, fundada em 1847 pelos irmãos Seydel, que hoje conta com modelos de luxo endorsados por famosos bluesmans como James Cotton, Howard Levy, Charlie Musselwhite, etc.

Fábrica da Hohner em Trossingen na Alemanha / http://www.peterunbehauen.de/p/06-hohner.html

Nos EUA, o gaitista dinamarquês Lee Oskar fundou em 1983 sua própria companhia que além de gaitas fabrica também kits de ferramentas, peças de reposição, métodos para aprendizado, etc. No Japão, a primeira fábrica de instrumentos estabelecida pela gigante corporação Suzuki, foi a de gaitas. Fundada em 1953, a fábrica oferece hoje constantes lançamentos de gaitas e uma vasta gama de excêntricos modelos desenvolvidos com as mais modernas tecnologias.
Blumenau, em Santa Catarina, conhecida por sediar a festa de tradição alemã Oktoberfest, é também a cidade que abriga a única fábrica de gaitas no mercado brasileiro. Fundada em 1923, pelo imigrante alemão Alfred Hering, a Hering Harmônicas posteriormente foi vendida para a Hohner em 1966, que aperfeiçoou e desenvolveu a fabricação de gaitas da fábrica. Somente em 1979 a fábrica foi comprada por grupos brasileiros. Com o país muito bem representado e mais de 50 modelos de gaitas e aproximadamente 30 artistas endorsados, a Hering é referência mundial em fabricação de gaitas e exporta para aproximadamente 30 países.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.
 
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