A Bends fez, está fazendo ou fará falta?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Em 2005 surgia no Brasil aquela que estava fadada a se tornar uma revolução não só no país, mas em todo o mundo no aspecto revolucionário, ou publicitário (as más línguas podem ainda compará-la ao populismo de Getúlio Vargas ou algo que o valha) envolvendo fabricação de gaitas e também um notável contato com o público gaitista. A Bends Harmonicas surgia no mercado com alguns tímidos protótipos que em pouco tempo se consolidaram em aproximadamente dez populares modelos de gaitas que rapidamente figuravam nos bolsos e nas bocas dos gaitistas. Anima, Juke e Prima são alguns exemplos delas. Desde modelos enxutos para iniciantes a impecáveis gaitas profissionais. Até gaita cristã acabou sendo fabricada. Fe? Talvez.  Apelação? Pode ser. Tentativa de laçar novos consumidores inexistentes? O mais provável... Em pouco tempo excelentes gaitistas também já endorsavam e vestiam com convicção a camiseta da Bends. Publicidade também existia de bom grado. Adesivos, cartazes, workshops e oficinas não faltavam nunca. E não era só isso, o mailing da Bends também era impecável. Ele ocorria mensalmente e às vezes em até menos tempo do que isso. Havia também alguns concursos culturais que a meu ver não julgava qualidade e sim bajulação, mas de todo jeito estava ali. Até aulas online gratuitas eram ministradas para os clientes e a todo público interessado. Não sei para vocês, mas para o mundo das harmônicas isso é até exagero...
A resposta das concorrentes ou da concorrente foi tentar de maneira urgente atualizar o site estagnado, criar alguns novos modelos e modificar alguns grafismos e embalagens de gaitas já existentes no mercado. O “monopólio” centenário de algumas fábricas não contava que um boom como esse surgisse do dia pra noite. E nem que a Bends pudesse estabelecer em menos de cinco anos o que eles levaram décadas ou centenas de anos para conseguir. Afinal, não a muito para se inventar se tratando de gaitas. Mas foi aí que a Bends acertou e desesperou o mercado das concorrentes. Com tudo, cito como aspecto negativo o encarecimento desnecessário do preço de todas as gaitas. Importadas ou não. Mas depois de todo esse alarde, no ano passado a caçula das fábricas de gaitas do mundo fechou suas portas e por sinal, sem nenhum aviso prévio. Boatos ainda dizem que nem os próprios endorsees da Bends foram notificados do acontecimento com antecedência. Na manhã do dia 25 de março um e-mail foi enviado ao pessoal que assinava o conteúdo do badalado site com o triste anúncio que a Bends encerraria suas atividades para sempre. Foi um susto grande para todos, não há como negar. Alguns apontam a ingratidão do mercado harmonicista como o principal motivo disso e muita gente até pensou que isso faria com que as portas para que as gaitas importadas chegassem ao Brasil se estreitassem ainda mais, mas isso é algo que não mudou muito com o fechamento da fábrica e a dificuldade de acesso a gaitas importadas ainda continuam... Na época do ocorrido fiz um artigo sobre isso aqui no blog e agora quase um ano depois eu venho com a seguinte questão? A Bends fez, está fazendo ou fará falta?
Pode parecer sensacionalismo ou terrorismo da minha parte dizer isso tudo após a enxurrada de elogios descritos ao decorrer do texto, mas é uma pergunta necessária uma vez em que toda essa luta se fez parecer desnecessária. Muito se diz também em fóruns pela internet e em grupos pelo Facebok. Surgiram muitos boatos e muito mistério sobre o motivo do fechamento da fábrica, sobre o futuro dos endorsees e funcionários, sobre o destino do estoque e do maquinário e etc. Uma polemica desnecessária ou não para o público órfão e carente dos gaitistas. Sem exageros. Eu mesmo adorava a política de aproximação com os clientes que a Bends possuia. Até simpatizava com as gaitas e tudo mais, apesar de ter tido apenas uma Bends Juke e mesmo com o e-mail de aviso de encerramento ainda vejo uma necessidade de um feedback aos já antigos clientes da Bends. Eu mesmo já cogitei que o fechamento da fábrica seria um puta marketing para que a fábrica se revigorasse em segredo e voltasse a todo vapor. Mas agora que a poeira abaixou tudo indica que o velho bordão do John Lennon é novamente muito oportuno. ”O sonho acabou”.
 
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