terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Harmonica Harpy

Deparei-me com uma curiosa gaita que um amigo baterista meu me deu há uns dois anos atrás. Mal me lembrava dela. O instrumento não possui modelo ou sequer outra informação, apenas o nome Harpy gravado nas placas de vozes da frente e de trás. Pelo que sei Harpy é uma linha de pratos descontinuada da fábrica paulista Krest Cymbals, o que provavelmente faz com a harmonica seja de origem brasileira. Nunca encontrei nada a respeito da gaita na internet e farei esse post com apenas a intenção de registrar o "exótico" instrumento e quem sabe encontrar alguém que também possua uma gaita dessas.

Para começar a gaita já vem um estojo grande de plástico preto bastante interessante. Na tampa está gravado de dourado apenas o nome da marca. É um case bastante funcional, porém muito grande. No seu interior há uma parte de veludo vermelho onde fica acomodada a gaita e um chaveiro (infelizmente meu amigo não me deu o chaveiro...). A caixa também contém um folheto com tablatura de cinco canções: Alouette, Good Night Ladies, O Susana, We Wish You a Merry Christmas e Jingle Bells.

A grande surpresa é que a gaita não se trata de um modelo ruim semelhante aos chineses que estamos acostumados a encontrar em situações como essas. O instrumento tem sim uma ótima sonoridade e pelo tempo que o utilizei, uma boa durabilidade. Trocando em miúdos irei apenas resumir: a gaita é uma réplica quase exata da Hering Free Blues. As diferenças evidentes são apenas as cores. A tampa é pintada de preto fosco e possui gravado em baixo relevo a palavra Harpy e seu respectivo logotipo. O que diferencia os lados são apenas os números dos orifícios presentes apenas na parte de cima da harmônica. O corpo da gaita é de uma estranha cor bege e não vermelho assim como o famoso modelo da Hering. Não sei o motivo disso mas a semelhança das gaitas pode ser averiguada na foto a seguir:

Harpy e Free Blues
As placas de vozes são idênticas e possuem os três parafusos fixadores posicionados no mesmo lugar! As medidas dos corpos e tampas também são exatamente iguais. Infelizmente minha Harpy está bastante surrada e desafinada, mas posteriormente planejo trocar suas placas de vozes por outras novas ou mesmo colocar o corpo da Harpy na Free Blues. Se alguém tiver mais informações dessa gaita por favor acrescente aqui nos comentários ou me contate! Em breve novos posts!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sorteio de microfone caseiro no Vlog Gaita Blues

O último vídeo do Vlog Gaita Blues do gaitista lageano Marcos Castelani, ensina como confeccionar um microfone caseiro para gaita. Com componentes extremamente baratos e um pouco de paciência é possível ter um microfone simples e eficiente para amplificar o instrumento. A novidade é que além de um passo a passo de como montar, Marcos ainda irá sortear o microfone para quem assistir e comentar o seu vídeo.
O sorteio ocorrerá no final do mês de fevereiro, e se você é iniciante e ainda não tem condições de comprar um microfone específico ou mesmo se ainda tem dúvidas sobre amplificação de gaita, não deixe de participar do sorteio. Até eu vou entrar no sorteio e se eu não ganhar vou me arriscar e irei confeccionar o meu próprio microfone também!

Participe assistindo e comentando no vídeo a seguir:

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Fat Nasty - Leandro Ferrari*

No ano passado (2010), o gaitista belorizontino Leandro Ferrari disponibilizou para download gratuito seu mais novo álbum de canções inéditas entítulado Fat Nasty. Já conhecido por seus experimentalismos Ferrari mergulha de vez em milhares de filtros e dubs através de suas gaitas. O endorsee da Bends** inova com um álbum incrivelmente dançante, sem se deixar escapar da linhagem vintage das tradicionais harmônicas, como ele já mostra na faixa inicial do disco Blind Dog, que com um riff delta blues contagiante de slide simetricamente combinada com os vocais distorcidos nos remete a um hip hop old school da década de 80. Com download grátis disponível do site da Bends fica a sugestão do gaitista, que juntamente com Benjamin Darvill e seu projeto Son of Dave, considero como um dos mais relevantes e revolucionários harmonicistas da atualidade. Pra quem procura se desvencilhar de influências tradicionais de blues ou mesmo do bucolismo do country o álbum se mostra um prato cheio e também um grande candidato a trilha sonora de pista de dança.


* Post escrito originalmente em janeiro de 2011. 
** Ferrari já não endorsa mais a extinta fábrica Bends Harmonicas.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Entrevista Marcos Castelani - Dos fóruns para o Youtube*


Marcos Castelani, 23 anos, é natural de Lages/SC e começou a tocar gaita há aproximadamente cinco anos. Assim como a maioria dos gaitistas da nova geração, desenvolveu seu aprendizado de maneira autodidata auxiliando-se através de grupos de discussão e fóruns na internet. Com apenas um ano de prática, ele já estava tocando em uma banda que ele mesmo fundou, com pouquíssimas gaitas e um microfone que ele mesmo havia feito usando um telefone antigo. A partir daí, seu desenvolvimento foi tão notável que até gravou participações e um clipe com André Lisboa, um guitarrista de sua cidade. Drop’s & Rock N’ Roll, a banda fundada por Marcos, até fechou um show dos escoceses do Nazareth, em uma de suas passagens pelo Brasil, em 2010.



Foi à curiosidade e a constante necessidade de crescer como gaitista, que fez com que Marcos passasse boa parte do seu tempo livre nos grupos de gaita espalhados pela internet. Na sua busca por compartilhamento de conhecimento, ele começou a escrever sobre dicas de gaita em um blog e um dia por acaso, fez um vídeo que auxiliava iniciantes com dúvidas em escolha de modelos de gaita. “Pra ser sincero, acho que só fiz o primeiro vídeo, porque me deu preguiça de escrever um texto enorme comparando gaitas pra iniciantes no blog que eu tinha, mas o negocio acabou fluindo muito bem.", disse Castelani. Marcos não tinha intenção de transformar seu canal de vídeos no Youtube em vlog. A produção das filmagens é bem simples e no início ele só postava vídeos de experimentos que fazia com gaitas e equipamentos novos que ia adquirindo.
Hoje o canal tem quase 50 vídeos, aproximadamente 760 inscritos (número que aumenta a cada dia) e mais de 37 mil visualizações em seus vídeos. “O negócio cresceu de uma forma que eu não esperava. Até tive que criar outra conta de e-mail pra deixar só pra conta do Youtube. Todo dia recebo inscrições, mensagens de pessoas que curtem os vídeos e elogios, o que me motiva muito a continuar a fazer os vídeos.”, afirmou Marcos. Com o vlog, Castelani dá dicas de manutenção, vedação, técnicas e até mesmo ministra algumas aulas. De maneira extrovertida, o canal conquistou um grande público de gaitistas, principalmente de aluno iniciantes ainda carentes de conteúdo.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Entrevista Leonardo Kenji Shikida - De blogueiro para blogueiro*


O espaço da gaita na internet ainda não foi totalmente consolidado. Com a popularização da internet no fim da década de 90, o fórum Gaita-L surgiu como uma alternativa para os tímidos internautas gaitistas. Um de seus usuários era bastante participativo e teve a iniciativa de criar um blog destinado apenas para a gaita. Foi assim que o analista de sistemas carioca, Leonardo Kenji Shikida, 37 anos, que se mudou para Belo Horizonte em sua infância, manteve gaitistas de todo o país antenados sobre lançamentos e curiosidades do mundo das harmônicas com o blog Gaita-BH. Os últimos dez anos foram dedicados por ele e seus parceiros (Bresslau, Rodrigo e Clara Machado) para manterem o blog sempre atualizado, o que garantiu várias amizades e um grande banco de dados para a gaita no país.

Quando surgiu a ideia de começar o blog?
Leonardo Kenji - Abri meu blog pessoal em 1999. Mudei de provedor em 2001 e não parei mais, embora tenha diminuído bastante o ritmo. No começo, o pessoal era muito carente de informação, então todo mundo tentava compartilhar como dava, meu blog foi na mesma linha. Quando vi que tinha post demais de gaita no meu blog pessoal, abri um blog de gaita para não misturar as coisas. Hoje em dia, eu e o Bresslau postamos alguma coisa de vez em quando no Gaita-BH, mas é raro. Acho que os blogs estão menos ágeis que os Twitters e os Facebooks da vida.

Você se tornou bastante influente no meio da gaita. Como isso ocorreu? 
LK - Eu tinha muito tempo livre e muita paciência pra responder as mesmas perguntas de todos os iniciantes que surgiam no Gaita-L, até porque, muito além disso eu nem tinha muito conhecimento para ajudar. Acho que isso acabou ajudando. Essa coisa da influência é engraçada, porque eu fiz muitos amigos, mas não acho que eu era influente. Talvez eu passasse certa credibilidade porque eu não era nem músico profissional (para defender o próprio trabalho) ou endorser (para defender uma marca). E eu tinha a impressão que a gaita era mal divulgada e que se eu divulgasse, seria bom para os gaitistas. Talvez, por ter pouca gente familiarizada com a web na época, eu tenha me destacado um pouco. Mas acho que hoje em dia, com os blogueiros profissionais e as redes sociais, que todo mundo sabe usar muito bem, para se destacar, a pessoa tem que fazer muito mais do que eu precisei na minha época. Uma coisa que ajudou bastante foram os vários CDs do Gaita-L, que eu ajudei a organizar por quase 10 anos (um por ano). Era divertido porque ele era uma desculpa para rolar um show com palco aberto para a galera dar uma canja. Se você quer deixar gaitistas felizes, arrume uma boa banda de blues, faça uma lista de músicas com o tom da gaita na segunda posição, arrume cerveja e abra o palco. A galera se diverte muito, vale a pena.

Como anda o cenário da gaita em BH?
LK - Se você for a qualquer lugar do Brasil, vai encontrar pessoas reclamando do cenário, seja porque tem pouco músico, ou porque tem panela, ou porque tem pouco show, ou porque o pessoal não valoriza, etc. O fato é que não dá pra comparar a gaita com o Michel Teló. Nunca foi um instrumento predominante e a vida de músico é muito sofrida. Agora, com o torrent e o Youtube, deve estar ainda mais sofrida. Ou não, há quem saiba aproveitar. Aqui em BH, existe um cenário, que já algum tempo eu não acompanho como fazia antigamente. Sempre tem gente boa aparecendo, fazendo bandas, inovando com novos trabalhos, etc. Mas é assim: são 10 anos e surgem um ou dois novos gaitistas que realmente engatam em trabalhos sérios e consistentes. Não é um cenário muito variado, mas você certamente sempre vai ter um bom show para ir quase toda semana. Isto é o suficiente para muita gente. Mas eu sinto falta dos gaitistas internacionais virem nos visitar. Tradicionalmente, é necessário ir para SP para conferir as atrações internacionais trazidas pelo Chico Blues e pelo Flávio Guimarães, que estão sempre salvando a nossa pele.

* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.
Vale ressaltar que possivelmente só criei meu blog por sempre seguir o blog do Kenji. O Gaita-BH serviu como grande inspiração para o Gaita e Poesia, que no começo só servia para postagens pessoais que nada falavam sobre gaita.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Entrevista Bene Chireia - Pioneirismo no ensino dos sopros*

Um dos maiores problemas para o gaitista iniciante é começar seu aprendizado. A dificuldade de se aprender gaita vai desde a escassez de métodos até a pequena quantidade de professores disponíveis. Em cidades do interior raramente encontramos músicos, quanto mais professores. Em Frutal, cidade localizada no pontal do triângulo mineiro, situada a 608 quilômetros da capital Belo Horizonte, não existe sequer uma loja especializada em música. A cantora e compositora Ana Rita, 18 anos, reside na cidade há quase dois anos e sente bastante dificuldades em adquirir gaitas. “Comprar gaita em Frutal é muito difícil e quando você consegue não encontra variedade de modelos e afinações. É preciso comprar gaitas pela internet ou em cidades maiores” conta Ana Rita, que inclusive aprendeu a tocar o instrumento por conta própria pela falta de professores.
Com o advento da internet, gaitistas renomados que lecionam estão ganhando espaço aos poucos. Cada conquista é importante e isso tem ocorrido por intermédio de aulas por videoconferência, divulgações de shows e workshops nas redes sociais, etc. Anos atrás, o método de gaita mais conhecido encontrado no Brasil, era o Blues Harp – Método para Harmônica Diatônica, do gaitista paranaense Benevides Chireia Júnior. Bené, como é popularmente conhecido, é consultor da Hering Harmônicas, desde 1994. Ele também endorsa produtos da fábrica e participa de diversos projetos musicais. Seu método ficou conhecido pela sua clareza e objetividade, que além de tudo continha um disco com faixas de acompanhamento para cada lição. 
O inicio da trajetória de Chireia com o instrumento se deu com ninguém menos do que o paulista Ulysses Cazallas (1933-2006), um dos mais importantes gaitistas do Brasil. Seu período de aprendizado com Cazallas ocorreu entre 1992 e 1993. Daí pra frente Bené não parou mais. Fundou a banda Mister Jack, integrou a Orquestra Harmônicas de Curitiba (da qual, Cazallas também fez parte) e o Trio Traquitana. Recentemente formou o duo Chireia e Hess que está em constantes apresentações pelo país.
Bené leciona desde 1996, mesmo ano do lançamento de seu método. Possui aproximadamente dez alunos, que são atendidos no bairro Jardim Social em Curitiba. É um número bem reduzido, porém importante para que sua carreira musical não sofra tanta interferência, pois está frequentemente viajando. O pioneiro método de Bené atingiu cerca de 5000 gaitistas em todo o país. “Até hoje creio que meu método continue sendo uma raridade e com a internet tive a oportunidade de enviar métodos para todo o país.”, comenta Benevides que ainda mantem alguns alunos online com o método.
Quando o assunto é lecionar no Brasil, Bené explica que a música no país se divide em escolas de música (em sua maioria privadas, uma vez música já não é mais matéria obrigatória nas escolas públicas) e em professores independentes que ensinam em casas de alunos, maneira pela qual ele optou para lecionar. “Eu optei pela segunda forma pois nas escolas de música (não todas é claro) a ordem é manter o aluno "preso" o maior tempo possível fazendo com que a evolução do aluno seja amarrada e monótona”. A dica que Benevides deixa para os iniciantes é que eles tenham um bom instrumento, um bom professor e que pratiquem no mínimo 30 minutos por dia.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Entrevista Marcio Scialis - O mercado no país e a influência de seus segmentos*


Prestando serviços para a Hering desde 2009, Marcio Scialis começou como gerente de projetos e posteriormente assumiu a direção executiva do Instituto Hering Harmônicas. Hoje aos 38 anos de idade, o paulista além de endorsar a marca é também o gerente de marketing da Hering Harmônicas. Em parceria com seu sócio Geison Cezare, Scialis assumiu o atendimento a clientes pela Assistência Técnica Autorizada Hering Harmonicas, através da central H-UNIT.COM, que atende em todo território nacional dentro e fora do período de garantia das gaitas. 
Como músico ele atua em diversos projetos, dos quais podemos destacar o trio Os Harmônicos, que já foi entrevistado no Programa do Jô, onde lançaram o primeiro CD. Além disso, o trio já foi matéria na Folha de S. Paulo, participaram na Radio CBN com João Carlos Santana e também já se apresentaram para mais de 15.000 crianças. Scialis também faz parte da banda country Hillbilly e da dupla Harmonica Duo, formada com o gaitista Little Will, que está em processo de finalização da gravação do primeiro disco, que contará com participações de alguns gaitistas importantes, como o norte-americano Peter “Madcat” Ruth.

O trio Os Harmônicos no Programa do Jô. Da esquerda para a direita: Geison Cezare, Little Will, Marcio Scialis e Jô Soares / Acervo Pessoal Facebook

Em entrevista por e-mail Marcio Scialis relatou um pouco de sua experiência no mercado de gaita do país. A sua primeira preocupação para a compreensão do funcionamento de venda de harmônicas é a distinção necessária entre gaitas realmente consideradas instrumentos musicais e as cópias mal feitas, geralmente provenientes da china. A confusão entre esses dois segmentos, faz com que algumas pessoas acabem comprando as cópias e levando para casa instrumentos sem qualidade e com afinações irregulares.
Ao contrário do que acontece com quem adquire uma gaita da Hering, que antes de chegar ao mercado passa por três processos de afinação, revisões e testes feitos por experientes profissionais, dos quais alguns já trabalham há mais de 50 anos na fábrica em Blumenau. “O que quero dizer, fazendo essa distinção prévia, é que o mercado nacional de gaitas vai muito bem, considerando o que podemos realmente chamar de gaitas” afirma Scialis.
Segundo Marcio, a Hering Harmônicas agora investe no aumento da qualidade de vendas e atendimento para lojistas e consumidores. Com o mercado aquecido no segundo semestre, a fábrica preferiu transformar em descontos o que seria gasto na 29ª Expomusic (Feira Internacional da Música, Instrumentos Musicais, Áudio, Iluminação e Acessórios), pois facilitaria para os lojistas de todo o país a reporem seus estoques de produtos Hering.


* Parte integrante de uma grande reportagem sobre gaita redigida para a disciplina de Redação Jornalística II para a UEMG, onde curso o segundo período de Comunicação Social.